O engraçado é que entre estes dias cheios de chuva deste Inverno há sempre um dia de sol, que decidimos aproveitar sempre da melhor forma mas eu possivelmente acabo deitada no sofá a tentar recordar fragmentos da noite anterior. Sinto o cheiro a sujo em mim e vêm-me os vómitos à boca algumas vezes até ganhar coragem de ir à casa de banho. Acabo sempre por me perguntar como acabo por parar ali, se é por causa do álcool, se é por causa do tédio.Vale sempre a pena ouvir a música da Adele, já pré destinada a tocar essa noite ( como todas as noites) e sentir o súbito desejo de cortar os pulsos por momentos enquanto olho para a pista e vejo pessoas a delirar.
Regresso à realidade, não dormi e estou ainda um pouco contaminada com os resíduos de ontem à noite, só que acabamos por sair de casa para ir comer e apanhar ar.
Um dos rapazes do grupo intriga-me e faz me sorrir enquanto me capta o olhar e faz imensas expressões que me entretêm por instantes. Dizem que é quando perdemos as coisas que aprendemos a dar-lhes valor, eu prefiro acreditar que vale a pena viver tudo intensamente para não darmos tempo a arrependimentos. Meto-me algumas vezes com ele, é tímido embora aparente ser uma pessoa divertida, ainda não o conheço bem, é amigo de amigos e não fala muito. Rio-me um pouco com as figuras embaraçadas do rapaz enquanto a minha amiga me faz expressões com os olhos para que pare. Eu sei que não faz o meu género mas tem necessariamente que fazer?
Somem os pensamentos positivos e acabo por me lembrar de um casal de amigos que acabou recentemente, e volto ao meu humor entediado enquanto penso nas palavras de consolo e de esperança que lhes disse, quando eu mesma nem acredito muito nisso. Ela lamenta-se de ele não lhe ter dito mais nada enquanto apregoa não quer saber dele. Ele diz que se está a cagar mas pergunta-me sempre que pode por ela. Torço o nariz às relações embora não acredite em aventuras de uma noite.
Sem comentários:
Enviar um comentário