quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia 5 - Quem é que entende os homens? Eu não!

Na melancolia do quotidiano vieram ter comigo sentimentos passados,  os quais eu havida gasto um passado para os tentar esquecer e quantas vezes em vão estes me ignoraram e me fizeram perceber que eu devia seguir em frente e que a minha vida era tanto mais que isto. Por fim, consegui eu superar, consegui eu refazer a minha vida sem preocupação com o meu outro eu, que agora chamo ele.
Há coisas que só duas pessoas entendem e há relações que nem com o passar do tempo perdem a sua essência. Mas se da primeira vez correu mal porque vai agora tudo dar certo não são os anos que passamos juntos o suficiente para percebemos  que não funciona?
Quando as relações acabam, somos nós as mulheres que sofrem mais, é verdade! Eles começam logo a sair com os amigos como se nada se tivesse passado, conhecem pessoas novas, fazem coisas novas e nós ficamos ali mergulhadas na depressão a vê-los agir como se tivessem a ter a melhor vida do mundo. Cheguei por fim à conclusão que era eu o problema, deve ter sido um alívio ter-se visto livre de mim finalmente. Com o tempo aceitei, tínhamos imensos problemas e discutíamos imenso, para não falar do extremo grau de desconfiança que ele tinha de mim, acho que com o tempo também me tornei desconfiada, acredito que quando as pessoas desconfiam muito é porque também escondem alguma coisa e no fim acreditem já escondíamos tudo.
Não lutei pela relação, surgiram-me oportunidades de me realizar profissionalmente e não hesitei, em três meses conseguimos deitar fora uma relação de anos.
Passou meio ano até conseguir aceitar o facto de o ter perdido mas sempre o achei bem. Hoje percebi que não, ele diz que não, talvez esteja confuso, se sinta sozinho, não sei, o certo é que o meu mundo tão certo desabou e surgiram imensas questões nas quais me sinto a divagar.
Quero -lhe dizer que não sou boa pessoa, que não sou a mãe que ele quer para os filhos dele e que nunca o vou fazer feliz, mas deixo-o falar ele acha que fizemos problemas em coisas que não eram um problema, que cada dia que passa pensa mais em tudo o que aconteceu, perdeu as certezas das decisões que havia tomado, no fim desculpa-se de me ter vindo falar tudo isto mas já é tarde, já as emoções, traumas, sensações do passado estavam à tona. Não, não estava à espera, fiquei em choque. Porquê isto depois de tudo? Tinha conseguido superar tudo sozinha, reconstruí uma vida da qual me orgulho. Quantas vezes não enlouqueci e pensei em fazer as maiores merdas? Mas não, contive-me, pensei na família, nos amigos, segui a minha vida e deixei-o seguir a dele. Claro que não foi fácil. Desesperava quando sabia que ele falava com outras e quando me pediu que me afastasse.
Só lhe consegui perguntar como é que se foi lembrar de mim agora, porquê?
Era um assunto pendente, que lhe havia vindo a remoer nos últimos tempos, achou melhor dizer-me, não sabia se era o mais acertado mas sentiu que o devia fazer. Não sei, a mim custa-me acreditar quando me lembro das nossas últimas conversas e a ideia que tinha era precisamente o contrário.
Ele apercebeu-se que não há nada melhor na vida do que teres alguém que esteja contigo por aquilo que realmente és. Realmente nunca quis mudar ninguém, mas lembro-me do problema ser sempre o facto de eu não mudar a minha personalidade, demasiado ridícula, demasiado mau feitio, demasiado arrogante, demasiado parva, demasiado filmática e nada fácil de lidar. O que mudou afinal?
Nada mudou, ele é que achava que sim, não esquece o meu feitio difícil e reconhece o dele, apercebeu-se que deitou fora uma das melhores coisas que já teve, lembra-se dos dias em que estava na merda e estava alguém lá que era capaz de mudar isso tudo, agora o dia seguinte consegue ser pior.
Perdemos algo único, concluí.
Desisto da conversa que não vai dar em nada, confusa da minha suposta recuperação nestes seis meses.
Como pode ele querer que acredite nisto quando passou meio ano a convencer - me do contrário?
Vocês entendem os homens? Eu não! Quando dás tudo e te empenhas de lhe mostrar o quanto ele é tudo para ti, ele está nem aí para isso.
Podia ser uma cabra e aproveitar-me dos sentimentos genuínos dele para me vingar do que passei. Podia, não podia? Podia, mas não estou assim tão louca e quando aprendemos a ser felizes com nós mesmos, percebemos que a nossa felicidade não está nas mãos de ninguém a não ser na nossa.

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